quarta-feira, maio 27, 2009

AUDITÓRIO IBIRAPUERA RECEBE CURUMIN E GUIZADO DIA 31 DE MAIO COM O PROJETO "JAPAN PUNX SHOW"

Banda infantil do Ceará, Os Cabinha, e Jorge Du Peixe, vocalista do Nação Zumbi, fazem participação especial

Dia 31 de maio, Curumin e Guizado fazem única apresentação no Auditório Ibirapuera. A idéia do show é divulgar os dois últimos trabalhos dos artistas; "Japan Pop Show", do Curumin, e "Punx", do Guizado. Por isso o nome "Japan Punx Show". A apresentação serve também para celebrar a parceria dos dois amigos, que tocam juntos há mais de 10 anos.
No repertório músicas de cada um deles, como "Compacto", "Mal Estar Card", "Magrela Fever", "Samba Japa", "Vermelho", "Areias", "Maia" e "Rinkisha".

"Punx" é o primeiro álbum do Guizado. O processo de gravação do álbum foi todo com fita de rolo. O trompete também passou por alguns filtros e os overdubs criaram climas mais congestionados, colisões harmônicas das quais nenhum ouvinte sai ferido. No jeito de tocar, a referência de Miles Davis não passa despercebida. Mas Guizado não é jazz. Nem tampouco é rock ou hip hop - é, sim, uma colagem original de tudo isso e mais um pouco. Embora empurrado por um pulso quase robótico de tão eletrônico, o ritmo é sempre guiado pelo transe da ancestralidade afro.

Já o paulistano Curumin foi considerado pelo jornal The New York Times um dos músicos jovens "mais espertos" da cena musical brasileira e um mestre em samba funk. O músico, cujo verdadeiro nome é Luciano Nakata Albuquerque, coleciona bem-sucedidas turnês internacionais acompanhado da banda Os Aipins e ainda foi escolhido pela atriz Natalie Portman para integrar uma coletânea organizada pela estrela no iTunes.

A banda infantil do Ceará, Os Cabinha, e Jorge du Peixe, vocalista do Nação Zumbi, fazem participação especial. Os Cabinha é a terceira geração da banda de lata da Fundação Casa Grande, que toca com seus instrumentos de brinquedo, construídos por eles mesmos. Eles têm entre 9 e 11 anos e com suas guitarras e baixos feitos de madeira, acompanhadas de percussão e bateria compostas de latas, deseletrificaram o rock, tantos anos depois do rock ter eletrificado a guitarra.

Serviço:

Curumin e Guizado e "Japan Punx Show" @ Auditório Ibirapuera - São Paulo/SP
Data: dia 31 de maio de 2009
Horário: domingo, às 19h
Duração: 90 minutos (aproximadamente)
Ingresso: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada)
Classificação Indicativa: Livre

Auditório Ibirapuera
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 2 do Parque do Ibirapuera.
Capacidade: 800 lugares
Abertura da casa: 19h00
Abertura da platéia: 20h00
Informações: info@iai.org.br
Informações: 3629-1014 - Marina/ 3629-1075
Site: www.auditorioibirapuera.com.br
Ar-condicionado. Acesso a deficientes. Proibido fumar no local.

Estacionamentos / Transporte:
Estacionamento Zona Azul - R$1,80 por duas horas. Dias úteis das 10h00 às 20h00, sábados, domingos e feriados das 8h00 às 18h00.
Ônibus: Estação da Luz - Linha 5154 - Terminal Sto Amaro / Metrô Brás - Linha 5630 - Jd. Eliana / Metrô Ana Rosa - Linha 675N - Terminal Sto. Amaro - Linha 677A - Vila Gilda - Linha 775C - Jd. Maria Sampaio / Metrô Vila Mariana - Linha 775 A - Jd. Adalgiza.
Sugerimos que utilizem taxi.

Horários da bilheteria do Auditório Ibirapuera:
NÃO ABRE SEGUNDA-FEIRA
Terça a Quinta: das 9h às 18h
Sexta e Sábado: das 9h às 21h
Domingo: das 9h às 18h

Ingresso em casa e pontos de venda:
Sistema Ticketmaster, pelo site www.ticketmaster.com.br ou 11 2846-6000. Formas de Pagamento: Visa, Amex e Mastercard, todos os cartões de débito e dinheiro. Não aceita-se cheques.
É recomendável comprar o ingresso com a máxima antecedência.

Meia Entrada:
- Estudantes: apresentar na entrada Carteira de Identidade Estudantil.
- Professores da Rede Estadual, Aposentados e Idosos acima de 60 anos: apresentar RG e comprovante.
- Menores de 12 anos, acompanhados pelos pais, têm direito a 50% de desconto do valor da inteira, quando Censura Livre.


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sábado, maio 09, 2009

BRUNO MORAIS LANÇA SEGUNDO CD, “A VONTADE SUPERSTAR”, DIA 14 DE MAIO NO TEATRO DO SESC POMPÉIA

Banda que o acompanha é formada por Guilherme Kastrup, Zé Ricardo Passeti, Ricardo Prado e Guizado
 
No dia 14 de maio, quinta-feira, às 21 horas, acontece no Teatro do SESC Pompéia o lançamento de “A Vontade Superstar”, o segundo CD de Bruno Morais, cantor, compositor e produtor musical paranaense.
 

Ele lançou seu primeiro CD, “Volume Zero”, em março de 2005, que obteve boa aceitação da crítica especializada. Em consequência desse lançamento foi selecionado para ser um dos dois representantes brasileiros para o respeitado laboratório de criação e/ou congresso mundial de música e tecnologia “Red Bull Music Academy”, em Seattle.

Após circular em casas de show pelo Brasil, Chicago e México, Bruno Morais lança seu mais recente trabalho “A Vontade Superstar”, pela YB Music, dividindo a produção com Guilherme Kastrup (bateria,percussão e MPC), que também faz parte da banda que o acompanha, ao lado de Zé Ricardo Passeti (guitarras e vilões), Ricardo Prado (baixo, teclados e acordeon) e Guizado (trompete, MPC, teclados e synths).

Serviço:

 

Bruno Morais @ Sesc Pompéia, São Paulo/SP

Data: 14 de maio de 2009, quinta-feira

Local: Teatro do Sesc Pompéia - Rua Clélia, 93 – Pompéia

Telefone: (11) 3871-7700

Horário: 21 horas

Ingressos: R$ 16; R$ 8 (usuário matriculado, acima de 60 anos e estudantes com carteirinha); R$ 4 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes)

 

Links:

 

www.myspace.com/brunomorais

www.twitter.com/brmorais

www.yb.com.br

 

“A VONTADE SUPERSTAR”, BRUNO MORAIS

(por Rômulo Fróes)

 

Ao colocarmos o disco pra tocar, somos recebidos por um som de tear que tece uma trama desconhecida. Em descobrir quais fios compõem essa trama e quais os sons formam sua trilha é que consiste o prazer de ouvir o novo disco de Bruno Morais, “A Vontade Superstar”.

 

O primeiro fio a ser reconhecido é seu canto. Bruno é, antes de mais nada, um excelente cantor, cada vez mais raros em nossa música. Se por um lado ele aprendeu direito as lições da Bossa Nova, especialmente no que se refere ao volume de sua voz, sua interpretação muitas vezes não controla o que parece transbordar em sua música: uma verdade e uma emoção que extrapola sua voz contida. É dessa aparente contradição, entre uma voz pequena, mansa, colocada e um sentimentalismo um tanto exagerado, que nasce a beleza de seu canto. Bruno puxa do fundo de seus pulmões todo o ar que precisa para cantar o que seu coração grita, mas controla sua emissão, pois parece acreditar falar mais alto falando baixinho, ao ouvido, confortando a quem o ouve. “Não vamos chorar, não vamos olhar pra trás e não vamos fugir”, proclama em “Hino dos corações partidos” (Bruno Morais/Tomás Meireles/José Ricardo Passetti), faixa que abre o disco, uma pequena e delicada carta de intenções endereçada àqueles que queiram acompanhá-lo em sua viagem musical. 

 

O disco segue seu bordado e outro fio a compor seu tecido sonoro é o próprio som. Gravado em épocas e estúdios diferentes, o disco conta com um número impressionante de participações, algo próximo de 40 pessoas entre músicos e técnicos. Organizar e dar um caráter a essa avalanche musical de origens muito diversas é o grande mérito da produção comandada por Guilherme Kastrup e Bruno Morais. A sonoridade do disco reflete muito o modo como Bruno se relaciona com a música e o seu desejo de agregar referências e personalidades musicais diferentes. Isso fica claro já na segunda faixa do disco, “A vontade” (Bruno Morais/Ivana Debértolis), ao lindo arranjo de sopro composto por Tony Chang, do coletivo neozelandês Fat Freddy's Drop, Bruno contrapõe o não menos belo solo de trombone do brasileiro Bocato. A matriz jazz encontra acentos diferentes no som de cada um e nesta junção de sotaques reside a força da canção.

 

Um exemplo ainda mais radical de um certo enfrentamento entre universos musicais distintos acontece em “O mundo é assim”, a obra prima de Alvaiade. A batida triste do samba do mestre portelense é transposta para as bandas marciais de New Orleans e seu ritmo marcante traduzido nos beats eletrônicos de Vitamin D, produtor que já trabalhou entre outros, com 50 cent, Jurassic Five e Blackalicious. A tragédia do samba é atravessada por uma sensualidade e uma ironia na voz de Bruno que canta qual um crooner de cabaré, acompanhado não pelo coro abrutalhado das pastoras do samba, mas de harmonias vocais típicas das cantoras de soul. 

 

Bruno ainda flerta com a música eletrônica, mas desta vez ela toma caminhos diferentes de seu disco de estréia “Volume Zero” (2005). Se naquele podemos dizer que era mesmo seu assunto principal, em “A Vontade Superstar” ela está à serviço da canção, sendo mais um instrumento do arranjo, produzindo camadas de som que enriquecem o conjunto de cada faixa. Um bom exemplo disso é “Planos” (Bruno Morais/Marcela Biasi), em que XXXChange, produtor, DJ e um dos fundadores do grupo de electro-rap Spank Rock, que também trabalhou para artistas como, Beck, Thom Yorke e Justin Timberlake, comanda os teclados e programações como mais um músico da banda e o faz de maneira intensa, conferindo à faixa um clima quente, um ar de sedução e altas doses de romantismo, diferente de uma certa frieza comum à música eletrônica.

 

O grande som do disco, como já disse, está a serviço da canção, e ela a serviço da vontade de Bruno, essa vontade estampada no título e que assume voz própria nos conduzindo pelos destinos do disco, lugares que não conhecemos mas que sua descrição nos aproxima e nos faz querer conhecer. “Você não sabe quanta coisa eu trouxe de lá, de onde você nunca vai estar, um anel de mares, uma multidão de flores e uma estória nova pra você contar” é a “Boa Nova” (Rafael Fuca/Bruno Morais) que nos conta e é dessa esperança que se impregna seu disco, dessa confiança em dias melhores, ainda que se envelheça a cada dia e cada mês, voltando ao samba de Alvaiade. Essa boa nova, essa esperança, parece ter origem em uma crença quase espiritual, de uma espiritualidade sem religião, nas pessoas e nas forças do bem. Bruno constrói seu escudo à prova de más vibrações. 

 

Em “Do Inferno 2” (Bruno Morais) alerta: “você, provavelmente, deve ter vindo do inferno pra me atazanar, você vai ver, gente assim não vai pra frente, estaciona, não sai do lugar”, ao mesmo tempo em que cita a melodia de “Se Deus Me Ouvisse”, sucesso de Almir Rogério nas vozes de Chitãozinho e Xororó. Se por um lado mostra intimidade com o cancioneiro popular, demonstra também seu conhecimento com o mundo do samba mais trágico, do samba mais triste, com uma original interpretação de “Pode Sorrir”, dos grandes Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Na versão de Nelson, ainda que o sujeito da canção diga saber quando uma mulher quer abandonar o lar e que por isso não lhe causa surpresa quando ela o faz, no fundo, pede, implora pra que ela não o faça passar por essa humilhação. Bruno inverte o sentimento da canção e parece mesmo estar feliz com sua partida, carrega em sua voz uma certa arrogância e escracho num canto bêbado em comemoração de sua liberdade. O samba como autoria também aparece no disco em “Hoje Eu Vou Te Acordar” (Romulo Fróes/Bruno Morais), sobre uma melodia triste, Bruno escreve mais uma vez sobre um mundo idealizado, possível em seus sonhos,“matei um amigo, pra te acordar, lancei aviões no céu, escrevi o teu nome no ar”.

 

Há em quase todas as faixas do disco um tipo de ordem, de comando, o sujeito da canção exala sabedoria, tenta organizar a vida a seu modo e segue apresentando seus argumentos a quem queira ouvi-lo,“eu que não sei o que digo, acordei tão sabido, querendo falar”,“você vai ver, gente assim não vai pra frente”,“não pense meu amor, não há tempo, não há o que pensar”,“abra os olhos, reconheça”,“pode sorrir pra quem você quiser”. Antes de ser autoritária, é uma voz firme, quase paterna. Nasce da música de Bruno Morais essa voz, que lança sua crença para esta paisagem distante, para o mundo idealizado da canção. Ao nos apresentar esse outro mundo, da nova música brasileira, “A Vontade Superstar” nos faz crer que dias melhores virão. Na verdade já chegaram.